Artistas

Bernardo Loureiro Marques - pintor, ilustrador e decorador (Silves, 1899 – Lisboa, 1962). Inicia a sua actividade artística como ilustrador e caricaturista na revista ABC e expõe, pela primeira vez, no III Salão dos Humoristas (Lisboa, 1920). Colabora como ilustrador em diversos periódicos até 1932, entre os quais se destacam a Ilustração Portuguesa, Ilustração, Civilização, Sempre Fixe, Presença, O Século e Diário de Notícias e na revista de cinema Imagem. É director gráfico das revistas Panorama (desde 1941, ano da sua criação) e Litoral (em 1944).

Em 1925, integra o grupo de pintores escolhidos por José Pacheko para realização das novas telas para a remodelação do café A Brasileira, no Chiado. Em 1929, parte para Berlim, onde é influenciado pelo expressionismo satírico de Georges Grosz (1893-1959). De regresso a Lisboa, participa no I e II Salão dos Independentes (1930 e 1931) e nos dois anos seguintes, expõe no Salão de Inverno e na Galeria UP, ambos em Lisboa. Em 1934, parte para Paris com uma bolsa de especialização em artes gráficas. Participa na I Exposição de Arte Moderna (1935) e na I Exposição de Artistas Ilustradores Modernos, organizada pelo S.P.N./S.N.I. em memória de José Pacheko (Porto, 1942).

Participa, como artista-decorador, em diversas exposições em Portugal e no estrangeiro: a Exposição Colonial Internacional (Vincennes, 1931), as Festas da Cidade de Lisboa (Terreiro do Paço, 1934 e 1935), a Exposição Internacional (Paris, 1937 onde também cria os cenários para um espectáculo de folclore português no Théâtre des Champs-Elysées), as Exposições Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco (Estados Unidos da América, 1939), os pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940), a I Primeira Exposição de Montras, organizada S.P.N./S.N.I. (Lisboa, 1940). É, nesse mesmo ano, agraciado com o oficialato da Ordem de Santiago, na cerimónia de encerramento das Comemorações dos Centenários. Igualmente criador de cenários e figurinos para a companhia Verde Gaio, com  destaque para o bailado Homem de Cravo na Boca (1941). Durante a década de 1940, a sua actividade desdobra-se entre a ilustração, a publicidade, a decoração, as artes gráficas e a cenografia, sendo considerado o líder do grupo de artistas-decoradores, colaboradores das actividades do S.P.N./S.N.I.

No final desta década, dirige a equipa de remodelação do Museu de Arte Popular, acumulando também as funções de coordenador do grupo de artistas-decoradores, cargo que abandonará em 1946 e assumido por Tomás de Mello (TOM). Em 1949, é nomeado director da I Feira das Indústrias e a partir de 1951 executa o projecto de decoração dos paquetes Vera Cruz e Santa Maria. É um dos artistas que melhor difundiu a produção folclórica e modernista, conhecida como o “estilo S.N.I.”.

É distinguido na Exposição Internacional de Paris com o Grand Prix (prémio colectivo) pelos projectos de decoração, em 1957 recebe os prémios de “Aguarela” e “Desenho” na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. A partir de 1959 assegura a direcção artística da revista Colóquio, mantida até ao ano da sua morte.

Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho - pintor, ilustrador e caricaturista (Lisboa, 1899 – Lisboa, 1982).

Aluno da

Escola de Belas-Artes de Lisboa de 1919 a 1921, ano em que abandona o curso em ruptura com os métodos de ensino então praticados. A partir de 1929, colabora, ao longo de 22 anos, no periódico Sempre Fixe na página “Ecos da Semana”. Faz uma viagem a Paris durante o ano de 1929, onde frequenta academias livres e museus. Regressa a Lisboa, expõe no I Salão dos Independentes (1930) e intensifica a sua actividade como pintor, com uma extensa obra sobre a cidade de Lisboa.

 

Participa como artista-decorador nas exposições internacionais realizadas pelo S.P.N./S.N.I.: no pavilhão da Exposição Colonial Internacional (Vincennes, 1931), no pavilhão da Exposição Internacional (Paris, 1937, onde é distinguido com um Grand-Prix pelo projecto decorativo), no pavilhão das Exposições Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco (Estados Unidos da América, 1939, onde é distinguido com o “1º Prémio” na Exposição Internacional de Arte Contemporânea de Pintura, iniciativa inserida no certame de S. Francisco). Integra, ainda, a equipa de artistas da Exposição do Mundo Português (1940) e da I Exposição de Montras (Lisboa, 1940). É, nesse mesmo ano, agraciado com o oficialato da Ordem de Cristo, na cerimónia de encerramento das Comemorações dos Centenários.

Em Portugal, mantém uma regular actividade expositiva, de entre as quais se destacam o II Salão dos Independentes (1931), a I Exposição de Arte Moderna (1935), a I Exposição de Artistas Ilustradores Modernos, organizada pelo S.P.N./S.N.I. em memória de José Pacheko (Porto, 1942) e a Bienal de São Paulo (1951), para além das inúmeras exposições individuais que organiza. Em 1938, recebe o prémio “Sousa Cardoso” no Salão de Arte Moderna e em 1940, o “Prémio Columbano” na V Exposição de Arte Moderna.

Colabora no concurso da “Aldeia Mais Portuguesa de Portugal” (1938) e instala-se em Monsanto até 1942, onde pinta muitos dos costumes e vivências dos seus habitantes, casario e paisagem. Organiza, depois, em Lisboa no estúdio do S.P.N./S.N.I., uma exposição evocativa da Aldeia de Monsanto com muita da sua obra e algum material etnográfico, realizada no âmbito do anterior concurso de 1938.

Em 1948, integra a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular, inserido no inserido no projecto de criação do museu, para onde executa o mural da “Sala das Beiras”.

Para além da actividade como pintor e ilustrador, realiza, também, diversos trabalhos de azulejaria, tapeçaria, gravura e maquetas de cenários para o Teatro do Povo (uma iniciativa do S.P.N./S.N.I durante a década de 1930) colaborando, igualmente, na concepção cenográfica para os bailados do Verde Gaio como Imagens da Terra e do Mar (1944, com figurinos de Paulo Ferreira).

Tomás José de Mello (TOM) – pintor, desenhador, ilustrador e decorador (Rio de Janeiro,1906 – Oeiras,1990).

Artista multifacetado (assina com o pseudónimo “TOM”), chega a Portugal em 1926, iniciando uma intensa actividade: colabora como caricaturista na Voz e Diário da Manhã, como ilustrador na Ilustração, como director da revista Cinelândia (1928) e como um inovador ilustrador na publicação infantil O Papagaio (1935), integra a equipa de decoradores do moderno restaurante Coq d’Or, no Chiado (1930) e assume, em 1934, a direcção da Galeria UP, fundada em 1932 por António Pedro e Constantino Fernandes.

Participa, desde 1937, em todas as exposições de Arte Moderna realizadas pelo SPN/SNI, tendo recebido o prémio “Francisco de Holanda” (1945). Integra as equipas de decoradores enviadas às grandes exposições internacionais no estrangeiro: demonstrando grande sensibilidade etnográfica, é-lhe confiada a decoração e montagem da “sala do artesanato” na Exposição Universal de Artes e Técnicas (Paris, 1937 onde é distinguido com o Grand-Prix (prémio colectivo) pelos projectos de decoração e com o Diploma de Honra pelos “artigos de fantasia”, em colaboração com Francisco Lage). Referência ainda, para a colecção de bonecas, vestidas com trajes regionais de todas as províncias portuguesas, num trabalho conjunto com Dalila Braga. Igual contribuição prestou nas exposições de Nova Iorque e S. Francisco (1939) e de Madrid (1943 e 1944). Intervém em 1938, nos concursos das “Estações Floridas” e da “Aldeia Mais Portuguesa de Portugal”. Participa na Exposição do Mundo Português, com intervenção no núcleo “Aldeias Portuguesas” e na “Secção da Vida Popular”, substituindo, em 1946, Bernardo Marques na coordenação da equipa de pintores-decoradores responsável pelos trabalhos no Museu de Arte Popular e consultor técnico da secção etnográfica do Museu. É, nesse mesmo ano, agraciado com o oficialato da Ordem de Cristo, na cerimónia de encerramento das Comemorações dos Centenários. Participa na I Exposição de Montras (Lisboa, 1940), na II Exposição de Arte Moderna e Desenho de Lisboa (1947, onde recebe o prémio para melhor artista estrangeiro) e inicia a colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre na concepção de cartões para tapeçarias. Em 1948, integra a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular, inserido no projecto de criação do museu, para onde executa um dos murais do vestíbulo e salas “Entre-Douro-e-Minho” e “Algarve”. Participa, nesse mesmo ano, na exposição 15 anos de Obras Públicas e assume, com Manuel Lapa, a direcção do projecto da exposição 14 Anos de Política do Espírito, iniciativa promovida pelo S.P.N./S.N.I. e dirigida por António Ferro (Lisboa, 1948).

Executa a cenografia e os figurinos para os Bailados do Verde Gaio, Passatempo (1947), Dança dos Pastores e Chula do Douro (1948). Já tinha anteriormente colaborado na elaboração de cenários e figurinos para o teatro de revista no Trindade e Parque Mayer (Lisboa, 1928-1933).

Entre 1949 e 1957, participa em diversas exposições, executa a decoração do Hotel de Turismo (Figueira da Foz, 1953) e é responsável pela concepção do pavilhão na XXI Feira Internacional de Barcelona. Dirige ainda a participação portuguesa na I Feira Internacional de Artesanato (Madrid, 1953) e participa na Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Em 1960, é nomeado director da Feira Internacional de Lisboa onde empreende diversas iniciativas relacionadas com o sector do Turismo e Obras de Arte. Em 1970, colabora na Exposição Internacional de Osaka e funda, nesse mesmo ano, a Artécnica (Centro Português de Design).

Estrela da Liberdade Alves Faria -  pintora e decoradora (Évora, 1910 – Lisboa, 1976). Aluna da Escola de Belas-Artes de Lisboa, discípula do pintor Veloso Salgado e bolseira em Paris, em 1938. Participa em diversas exposições em Portugal e no estrangeiro: na Exposição de Arte Moderna (S.N.B.A., 1934), na Exposição Histórica da Ocupação no século XIX (Lisboa, Parque Eduardo VII, 1937), na Exposição Internacional  (Paris, 1937), nas Exposições Internacionais de Nova Iorque e S. Francisco (Estados Unidos da América, 1939), nos pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940, onde executa os murais da Sala de Cinema) e na I Exposição de Montras (Lisboa, 1940). Em 1943, integra a equipa de decoração do Círculo Eça de Queirós, instituição fundada por António Ferro. Realiza igualmente, cenários e figurinos para bailados do Verde Gaio.

É distinguida com a “Medalha de Ouro” na exposição de Paris (1937) e, mais tarde, com o prémio “Columbano” (1945).

Em 1948, integra a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular, inserido no projecto de criação do museu, para onde executa um dos murais da “Sala da Estremadura e Alentejo”.

Paulo Rodrigues Ferreira – pintor, ilustrador, decorador, cenógrafo e figurinista (Lisboa, 1911 – Lisboa, 1999).

Nos finais da década de 1920, inicia colaboração regular nos periódicos Sempre Fixe, ABC e nas revistas Imagem e Panorama. Integra a equipa de artistas para a decoração do moderno restaurante Coq d’Or, no Chiado (1930) e dois anos depois, expõe, pela primeira vez, no I Salão de Inverno da S.N.B.A. Participa nas exposições internacionais de Paris (1937, onde apresenta o inovador painel de azulejo de gosto marcadamente modernista, Lisbonne aux mille couleurs e executa o cartaz de divulgação da presença portuguesa na exposição), de Nova Iorque e S. Francisco (1939) e na Exposição do Mundo Português (1940). É, nesse mesmo ano, agraciado com o oficialato da Ordem de Cristo, na cerimónia de encerramento das Comemorações dos Centenários.

Participa na I Exposição de Arte Moderna (1935), na I Exposição de Artistas Ilustradores Modernos, organizada pelo S.P.N./S.N.I. em memória de José Pacheko (Porto, 1942) e nesse mesmo ano, dirige e ilustra a obra Vida e Arte do Povo Português, da autoria dos etnógrafos folcloristas Francisco Lage e Luís Chaves. Executa a decoração da Estalagem do Lidador, em Óbidos (1942), projecto do S.P.N./S.N.I. e primeira pousada de turismo levada a efeito para a comemoração dos Centenários, e no ano seguinte, António Ferro entrega-lhe a redecoração da sua casa. Em 1943, integra a equipa de decoração do Círculo Eça de Queirós, instituição fundada por António Ferro.

É distinguido na Exposição Internacional de Paris com Grand Prix (prémio colectivo) pelos projectos de decoração e com Diploma de Honra pelo referido painel de azulejo. Recebe, igualmente, os prémios “Sousa Cardoso” (1939) e “José Tagarro” (1945), instituídos pelo S.P.N./S.N.I.

Colabora com o Verde Gaio, participando directamente como cenógrafo e figurinista nos bailados Dança da Menina Tonta (1941), Imagens da Terra e do Mar (1944, com cenários de Carlos Botelho), Noite sem Fim, Festa no Jardim e Farandole (1947), entre outros. Já tinha anteriormente colaborado na criação de cenários e figurinos para o teatro de revista no Trindade e Parque Mayer, em Lisboa (1928-1933).

Em 1948, integra a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular, inserido no projecto de criação do museu, para onde executa um dos murais da “Sala da Estremadura e Alentejo”. Já a viver em Paris, é, em 1954, inspector artístico das Casas de Portugal no estrangeiro (Nova Iorque, Paris e Londres).

Manuel Francisco de Almeida e Vasconcelos Lapa – pintor, artista gráfico e decorador (Lisboa, 1914 – Lisboa, 1979).

Professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa. Como ilustrador e artista gráfico, colabora na revista Panorama e assume, em 1942, a direcção artística da Atlântico. Integra a I Exposição de Artistas Ilustradores Modernos, organizada pelo S.P.N./S.N.I. em memória de José Pacheko (Porto, 1942) e colabora na obra Portugal: Breviário da Pátria para os Portugueses Ausentes (publicada pelo S.P.N./S.N.I, 1946). Com TOM, realiza o projecto de decoração da exposição 14 Anos de Política do Espírito, iniciativa promovida pelo S.P.N./S.N.I. e dirigida por António Ferro (Lisboa, 1948) e inicia a colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre para a concepção de cartões para tapeçarias. Integra a equipa de artistas da Exposição do Mundo Português (1940) e participa na I Exposição de Montras (Lisboa, 1940). É, nesse mesmo ano, agraciado com o oficialato da Ordem de Cristo, na cerimónia de encerramento das Comemorações dos Centenários e em 1947, distinguido com o prémio “Domingos Sequeira”. Em 1943, colabora no projecto de decoração do Círculo Eça de Queirós, instituição fundada por António Ferro.

Em 1948, integra a equipa de artistas-decoradores do Museu de Arte Popular, inserido no projecto de criação do museu, para onde executa, em parceria com TOM, os murais do “Vestíbulo” e salas de “Entre-Douro-e-Minho”, “Trás-os-Montes” e “Algarve”. Participa, nesse mesmo ano, na exposição 15 anos de Obras Públicas e assume, com Tomás de Mello, a direcção do projecto da exposição 14 Anos de Política do Espírito, iniciativa promovida pelo S.P.N./S.N.I. e dirigida por António Ferro (Lisboa, 1948).

Em 1953, dirige a ilustração  e publicação da obra Guia Olisipo: Roteiro da Cidade de Lisboa e funda em 1969, o Instituto de Arte, Decoração e Design (IADE), em Lisboa.

Eduardo Anahory – arquitecto, pintor, ilustrador, artista gráfico e decorador (Lisboa,1917-Lisboa,1985).

Iniciativa a sua actividade como artista gráfico em 1936 com a concepção, encomenda da Junta Nacional de Educação, do ex-libris comemorativo dos 10 anos da “revolução nacional”, da capa do Guia Oficial da Exposição do Mundo Português e mantém uma assídua colaboração na revista Panorama. Participa, também, noutras iniciativas do S.P.N./S.N.I como a I Exposição de Montras (Lisboa, 1940), as Exposições de Arte Moderna (1945 e 1946), os pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940), o I Salão Nacional de Artes Decorativas (1949).


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